segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Sul 21 » “O alto comissário do Golbery não toma jeito”

Sul 21 » “O alto comissário do Golbery não toma jeito”


“O alto comissário do Golbery não toma jeito”

Por Tarso Genro
Como Elio Gaspari foi do velho Partidão e depois se tornou confidente do General Golbery, fazendo, a partir daí, uma carreira de jornalista mordaz e corregedor de todos os hábitos do país, ele se dá o direito de não só inventar tolices nas suas colunas, como também enganar os mais desavisados.
Defende as suas teses principalmente a partir da falsificação da posição dos seus adversários de opinião. Para defendê-las, Elio sempre desqualifica os seus adversários com textos de estilo ferino, que não raro beiram a difamação. Os que se sentem agredidos raramente se defendem, não só porque ele não publica as respostas na sua coluna, mas porque talvez temam despertar nele uma ira ainda maior, que também não abre espaços para o contraditório.
Já fui alvo algumas vezes das suas distorções e falsificações, mas sobre este tema da reforma política preciso responder formalmente, porque se trata de um assunto extremamente relevante para o aperfeiçoamento democrático do país, sobre o qual existem divergências elevadas, tanto dentro da esquerda como da direita democrática.
A estratégia usada por Elio Gaspari para promover suas crônicas foi muito comum na época da ditadura, quando o SNI – através de articulistas cooptados – recheava de informações manipuladas a grande imprensa, sobre a “subversão” e as “badernas estudantis”. O regime tentava, desta forma, tanto manter o controle da opinião pública, como dividir a oposição legal e a clandestina, num cenário em que povo já estava cansado do regime. Elio Gaspari parece que se contaminou com este vício e combinou-o com uma arrogância olímpica: desqualifica todo mundo, não respeita ninguém, o que pode significar uma volúpia de desrespeito a si mesmo, ensejada pela sua trajetória como jornalista com idéias muito próximas de um ceticismo anarco-direitista.
Vários dirigentes políticos, tanto da oposição como da situação – da direita e da esquerda – que não estão satisfeitos com o sistema político atual, debatem uma saída: uma reforma política para melhorar a democracia no país. Todos sabemos que não existe um sistema ideal e perfeito, mas que é possível uma melhora no sistema atual, que pode tornar mais decente a representação e os próprios partidos. Este debate para melhorar a democracia e dar maior coerência ao sistema de representação tem despertado a santa ira de Elio Gaspari, que dispara para todos os lados, mas nunca diz realmente qual é a sua posição sobre o assunto.
No seu artigo “O comissariado não toma jeito”, no qual sou citado nominalmente como defensor de fisiologismos, ele atinge o auge na deformação das opiniões de pessoas que ele não concorda. Vincula, inclusive de maneira sórdida estas opiniões a dirigentes políticos condenados na ação penal 470, para aproveitar a onda midiática que recorre diariamente a estas condenações, não só para desmoralizar a política e os partidos, mas para tentar recuperar os desastrados anos do projeto neoliberal no país, nos quais, como todos sabemos, não ocorreu nenhuma corrupção ou fisiologismo.
As deformações de Elio são explícitas quando ele examina dois pontos importantes da reforma política: o “voto em lista fechada” e o “financiamento público” das campanhas eleitorais. Sobre o voto em lista “fechada” ele argumenta, em resumo, que a “escolha deixa de ser do eleitor”, que vota numa lista preparada pelo Partido, que captura o seu direito de escolha.
Pergunto: será que Elio não sabe que a escolha na “lista aberta” (sistema atual), é feita, também, a partir de uma relação de nomes que é organizada pelos Partidos? E mais: será que Elio não sabe que a diferença entre um e outro sistema é que, no atual, o voto vai para a “fundo” de votos da legenda e acaba premiando qualquer um dos mais votados da lista, sem o mínimo nexo com a vontade do eleitor? Repito, qualquer um da lista, sem que o eleitor possa saber quem ele está ajudando eleger!
Na lista fechada é exatamente o contrário. O eleitor sabe em quem ele está votando. E sabe da “ordem de preferência”, que o seu voto vai chancelar, a partir do número de votos que o Partido vai amealhar nas eleições. O eleitor faz, então, previamente, uma opção partidária – inclusive a partir da qualidade da própria lista que os Partidos apresentaram – e fica sabendo, não só quem compõe a lista do seu partido, mas também a ordem dos nomes que vão ter a preferência do seu voto.
Na lista aberta, ao invés de crescer o poder político dos partidos – que Elio parece desprezar do alto da sua superioridade golberyana – o que aumenta é o poder eleitoral pessoal de candidatos que, neste sistema de lista aberta, carreiam os votos dos eleitores para qualquer desconhecido. Por mais respeito humano que se tenha por figuras folclóricas que ajudam eleger pessoas com meia dúzia de votos, não se pode dizer que a sua influência pessoal possa ser melhor que a influência das comunidades partidárias, por mais defeitos que elas tenham.
A tegiversação sobre o financiamento público das campanhas não é ridícula, porque é simplesmente uma falcatrua argumentativa. Elio diz que este tipo de financiamento não acabará com o “caixa 2” e que tal procedimento vai levar a conta para o povo, que ele chama gentilmente de “patuléia”. Vejamos se estes argumentos são sérios.
Primeiro: ninguém tem a ilusão de acabar com o “caixa 2”, que acompanhará as campanhas, enquanto tivermos eleições. O que devemos e podemos buscar é um sistema que possa diminuí-la, substancialmente, através – por exemplo – de um controle “on line”, de todos os gastos das campanhas, num sistema financiado por recursos conhecidos e previamente distribuídos aos partidos.
Este sistema certamente diminuirá a dependência dos partidos em relação aos empresários e permitirá um controle mais detalhado dos gastos, pois cada partido terá um valor previamente arbitrado, para ser fiscalizado à medida que os recursos forem sendo gastos. Reduzir, portanto, a força do poder econômico sobre as eleições, este é o objetivo central do financiamento público.
Quanto à transferência das despesas para o povo, qualquer aluno do General Golbery – digo aqui da modesta situação de fisiológico que me foi imputada – sabe que as contribuições dadas pelas empresas aos partidos e aos políticos, são “custos” de funcionamento de uma empresa, que integram o preço dos seus produtos e serviços, que são comprados pelo consumidor comum ou pelo Estado.
Quem paga por tudo, sempre, é o povo que trabalha e compra e o Estado que encomenda, compra e paga. O defensor da patuléia, portanto, não está defendendo nem a “viúva” metafórica nem o Estado concreto. Está, sim, defendendo a atual influência do poder econômico sobre os processos eleitorais, de uma forma aparentemente moralista, mas concretamente interessada: acha que o sistema assim está bem. Uma forma de fisiologismo altamente disfarçado. O alto comissário do Golbery não toma jeito.
Tarso Genro é Governador do Estado do Rio Grande do Sul

Rolê Drops - Nachos Beavis & Butt-Head

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

LIVROS PARA TROCAR


LIVROS PARA TROCAR

1 – A Nova Mulher e a Moral Sexual – Alexandra Kolontai (Revolucionária Bolchevique, membro do CC Russo, na Revolução de 1917) Ed. Expressão Popular. 175 pág. (Filosofia Política & Feminismo)

2 – Breve História da Mulher no Mundo Ocidental – Carlos Bauer - Ed. Expressão Popular. 145 pág. (História da Mulher)

3 – A Formação das Nações Latino-Americanas – Maria Lígia Prado – 80 pág. (História da América)

4 – Direito Penal – Parte Geral – Fernando Capez – 415 pág. (Direito)

5 – Curso de Direito Processual Civil I – Humberto Theodoro Jr. – 600 pág. (Direito)

6 – Teoria Geral do Estado – Darcy Azambuja – 250 pág. (Direito)

7 – Teoria Geral do Processo – Ada Pellegrini Grinover et alli. 330 pág. (Direito)

8 – Revista Escola Direito UCPel. V. 6 Dez/2005. 700 pág. (Direito)

9 – A Ideologia Alemã – Karl Marx – 120 pág. (Filosofia Marxista)

10 – Aprender Antropologia – Francois Laplantine – 205 pág. (Antropologia)

11 – O Mundo da Arqueologia – C.W. Ceron – 400 pág. (Arqueologia)

12 – Budapeste – Chico Buarque de Hollanda – 175 pág. (Literatura)

13 – Sargento Getúlio – João Ubaldo Ribeiro – 165 pág. (Literatura)

14 – Dom Casmurro – Machado de Assis. (Literatura)

15 – Cadeira de Balanço – Carlos Drummond de Andrade. 160 pág. (Literatura / poesia)

16 – A Moreninha – Joaquin Manuel de Macedo. 135 pág. (Literatura) 

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Os dois lados do ser humano: Dragão e São Jorge

Os dois lados do ser humano: Dragão e São Jorge


Os dois lados do ser humano: Dragão e São Jorge
Publicado em 22-Jan-2013
ImageLeonardo Boff

Toda religião, também o cristianismo, possui muitas valências. Além de se centralizar em Deus, elabora narrativas sobre o drama paradoxal do ser humano, gerando sentido, uma interpretação da realidade, da história e do mundo.

Exemplar é a lenda de São Jorge e o combate feroz com o dragão narrada no artigo anterior. Primeiramente, o dragão é dragão, portanto, uma serpente. Mas é apresentada alada, com enorme boca que emite fogo e fumaça e um cheiro mortífero. É um dragão simbólico.

No Ocidente representa o mal e o mundo ameaçador das sombras. No Oriente é  positivo, símbolo nacional da China, senhor das águas e da fertilidade (long). Entre os aztecas era a serpente alada (Quezalcoatl), símbolo positivo de  sua cultura. Para nós ocidentais o dragão é sempre terrível e representa a ameaça à vida ou as dificuldades duras da sobrevivência. Os pobres dizem:“tenho que matar um dragão por dia tal é a luta pela sobrevivência”

Mas o dragão, como o mostrou a tradição psicanalítica de C. G. Jung com Erich Neumann, James Hillmann. Etienne Perrot e outros representa um dos arquétipos (elementos estruturais do inconsciente coletivo ou imagens primordiais que ordenam a psique) mais ancestrais e transculturais da humanidade.

Junto com o dragão sempre vem o cavaleiro heróico que com ele se confronta numa luta feroz. Que significam essas duas figuras? À luz de categorias de C. G. Jung e discípulos, especialmente de Erich Neumann que estudou especificamente este arquétipo (A história da origem da consciência, Cultrix 1990) e da psicoterapia existencial-humanística de Kirk J. Schneider (O eu paradoxal, Vozes 1993) procuremos entender o que está em jogo nesse confronto.

O caminho da evolução leva a humanidade do inconsciente para o consciente, da fusão cósmica com o Todo (Uroboros) para a emergência da autonomia do ego. Essa passagem é dramática, nunca totalmente realizada; por isso, o ego deve continuamente retomá-la caso queira gozar de liberdade e vencer na vida.

Mas importa reconhecer que o dragão amedrontador e o cavaleiro heróico são duas dimensões do mesmo ser humano. O dragão em nós é o nosso universo ancestral, obscuro, nossas sombras de onde imergimos para a luz da razão e da independência do ego. Por isso que em algumas iconografias, especialmente uma da Catalunha (é seu patrono) o dragão aparece envolvendo todo o corpo do cavaleiro. Numa gravura de Rogério Fernandes (com.br) o dragão aparece envolvendo o corpo de São Jorge, que o segura pelo braço e tendo o rosto, nada ameaçador na altura do de São Jorge. É um dragão humanizado formando uma unidade com São Jorge. Noutras (no Google há 25 páginas de gravuras de São Jorge com o dragão) o dragão aparece como um animal domesticado sobre o qual São Jorge de pé o conduz não com a lança mas com um bastão.

A atividade do herói, no caso de São Jorge, na sua luta com o dragão mostra a força do ego, corajoso, iluminado e que se firma e conquista autonomia, mas sempre em tensão com a dimensão escura do dragão. Eles convivem mas o dragão  não consegue dominar o ego.

Diz Neumann:”A atividade da consciência é heróica quando o ego assume e realiza por si mesmo a luta arquetípica com o dragão do inconsciente, levando-a a uma síntese bem sucedida”(Op.cit. p.244), A pessoa que fez esta travessia não renega o dragão, mas o mantém domesticado e integrado como seu lado de sombra.  Por esta razão, em muitas narrativas, São Jorge não mata o dragão. Apenas o domestica e o re-insere no seu lugar deixando de ser ameaçador. Ai surge a síntese feliz dos opostos; o eu paradoxal encontrou seu equilíbrio pois alcançou a harmonização do ego com o dragão,  do consciente com o inconsciente, da luz com a sombra,  da razão com a paixão, do racional com o simbólico, da ciência com a arte e com a religião.

A confrontação com as oposições e a busca da síntese constitui a característica de personalidades amadurecidas, que integraram a dimensão de sombra e de luz, o lado São Jorge com o lado Dragão. Assim o vemos em Buda, Francisco de Assis, Jesus, em Gandhi  e em Luther King.

Os cariocas têm grande veneração por São Jorge mais do que por São Sebastião, patrono oficial da cidade. Mas este é um guerreiro, cheio de flechas, portanto “vencido”. O povo sente necessidades de um santo guerreiro corajoso que vence as adversidades. Ai São Jorge representa o santo ideal. Na novela “Salve Jorge” ele funciona como o herói que vai libertar as meninas traficadas para a Turquia; ele enfrentará, vitoriosamente, o dragão do tráfico internacional de mulheres.

Por certo, aqueles que veneram São Jorge com o dragão não sabem nada de seu significado arquetípico. Não importa. Pois seu inconsciente o sabe; ele  ativa e realiza neles sua obra: a vontade de lutar, de se afirmar como egos autônomos que enfrentam e integram as dificuldades (os dragões) dentro de um projeto positivo de vida (São Jorge, herói vitorioso). E saem fortalecidos para a dura luta da vida.

Leonardo Boff coordenou a publicação da obra completa de C. G. Jung junto à Editora Vozes.

sábado, dezembro 15, 2012

quarta-feira, outubro 10, 2012

Carta da filha de José Genoino, Miruna Genoino



Por Miruna Genoino





"A coragem é o que dá sentido à liberdade".



Com essa frase, meu pai, José Genoino Neto, cearense, brasileiro, casado, pai de três filhos, avô de dois netos, explicou-me como estava se sentindo em relação à condenação que hoje, dia 9 de outubro, foi confirmada. Uma frase saída do livro que está lendo atualmente e que me levou por um caminho enorme de recordações e de perguntas que realmente não têm resposta.





Lembro-me que quando comecei a ser consciente daquilo que meus pais tinham feito e especialmente sofrido, ao enfrentar a ditadura militar, vinha-me uma pergunta à minha mente: será que se eu vivesse algo assim teria essa mesma coragem de colocar a luta política acima do conforto e do bem estar individual? Teria coragem de enfrentar dor e injustiça em nome da democracia?



Eu não tenho essa resposta, mas relembrar essas perguntas me fez pensar em muitas outras que talvez, em meio a toda essa balbúrdia, merecem ser consideradas...



Você seria perseverante o suficiente para andar todos os dias 14 km pelo sertão do Ceará para poder frequentar uma escola? Teria a coragem suficiente de escrever aos seus pais uma carta de despedida e partir para a selva amazônica buscando construir uma forma de resistência a um regime militar? Conseguiria aguentar torturas frequentes e constantes, como pau de arara, queimaduras, choques e afogamentos sem perder a cabeça e partir para a delação? Encontraria forças para presenciar sua futura companheira de vida e de amor ser torturada na sua frente? E seria perseverante o suficiente ao esperar 5 anos dentro de uma prisão até que o regime político de seu país lhe desse a liberdade?



E sigo...



Você seria corajoso o suficiente para enfrentar eleições nacionais sem nenhuma condição financeira? E não se envergonharia de sacrificar as escassas economias familiares para poder adquirir um terno e assim ser possível exercer seu mandato de deputado federal? E teria coragem de ao longo de 20 anos na câmara dos deputados defender os homossexuais, o aborto e os menos favorecidos? E quando todos estivessem desejando estar ao seu lado, e sua posição fosse de destaque, teria a decência e a honra de nunca aceitar nada que não fosse o respeito e o diálogo aberto?



Meu pai teve coragem de fazer tudo isso e muito mais. São mais de 40 anos dedicados à luta política. Nunca, jamais para benefício pessoal. Hoje e sempre, empenhado em defender aquilo que acredita e que eu ouvi de sua boca pela primeira vez aos 8 anos de idade quando reclamava de sua ausência: a única coisa que quero, Mimi, é melhorar a vida das pessoas...



Este seu desejo, que tanto me fez e me faz sentir um enorme orgulho de ser filha de quem sou, não foi o suficiente para que meu pai pudesse ter sua trajetória defendida. Não foi o suficiente para que ganhasse o respeito dos meios de comunicação de nosso Brasil, meios esses que deveriam ser olhados através de outras tantas perguntas...



Você teria coragem de assumir como profissão a manipulação de informações e a especulação? Se sentiria feliz, praticamente em êxtase, em poder noticiar a tragédia de um político honrado? Acharia uma excelente

ideia congregar 200 pessoas na porta de uma casa familiar em nome de causar um pânico na televisão? Teria coragem de mandar um fotógrafo às portas de um hospital no dia de um político realizar um procedimento cardíaco? Dedicaria suas energias a colocar-se em dia de eleição a falar, com a boca colada na orelha de uma pessoa, sobre o medo a uma prisão que essa mesma pessoa já vivenciou nos piores anos do Brasil?



Pois os meios de comunicação desse nosso país sim tiveram coragem de fazer isso tudo e muito mais.



Hoje, nesse dia tão triste, pode parecer que ganharam, que seus objetivos foram alcançados. Mas ao encontrar-me com meu pai e sua disposição para lutar e se defender, vejo que apenas deram forças para que esse genuíno homem possa continuar sua história de garra, HONESTIDADE e defesa daquilo que sempre acreditou.



Nossa família entra agora em um período de incertezas. Não sabemos o que virá e para que seja possível aguentar o que vem pela frente pedimos encarecidamente o seu apoio. Seja divulgando esse e/ou outros textos que existem em apoio ao meu pai, seja ajudando no cuidado a duas crianças de 4 e 5 anos que idolatram o avô e que talvez tenham que ficar sem sua presença, seja simplesmente mandando uma palavra de carinho. Nesse momento qualquer atitude, qualquer pequeno gesto nos ajuda, nos fortalece e nos alimenta para ajudar meu pai.



Ele lutará até o fim pela defesa de sua inocência. Não ficará de braços cruzados aceitando aquilo que a mídia e alguns setores da política brasileira querem que todos acreditem e, marca de sua trajetória, está muito bem e muito firme neste propósito, o de defesa de sua INOCÊNCIA e de sua HONESTIDADE. Vocês que aqui nos leem sabem de nossa vida, de nossos princípios e de nossos valores. E sabem que, agora, em um dos momentos mais difíceis de nossa vida, reconhecemos aqui humildemente a ajuda que precisamos de todos, para que possamos seguir em frente.



Com toda minha gratidão, amor e carinho,



Miruna Genoino - 09.10.2012

José Dirceu se dirige ao Povo Brasileiro!

AO POVO BRASILEIRO




No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.



Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.



Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.



Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.



Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.



Na madrugada de dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.



A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.



Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.



Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.



Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.



Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver.



Vinhedo, 09 de outubro de 2012

José Dirceu



www.zedirceu.com.br



terça-feira, outubro 09, 2012

Hasta la victoria siempre (1967)

Hasta la victoria siempre (1967) Santiago Alvarez

Documental que muestra diversos aspectos de la vida del heroico guerrillero Ernesto Che Guevara.

Santiago Alvarez
Director: Santiago Alvarez



http://www.youtube.com/watch?v=oul_bnjebCQ&feature=player_embedded#!

Che: A história por trás da fotografia


A história por trás da fotografia de Che





Em 5 de março de 1960, Che, decretado “cubano de nascimento” por seu companheiro Fidel Castro, assistia com outros líderes da revolução recém nascida ao funeral de mais de cem vítimas do atentado contra o porto de Havana e o vapor francês ” La Coubre”, carregado de armas.
A imprensa cubana recorda que era um dia cinza, com temperatura abaixo de 20 graus, e que Korda não dimensionou a princípio a importância da imagem captada com sua câmara Leika, que, anos depois, correria o planeta, estampada em livros, cartazes, fachadas de edifícios e camisetas da moda. A fotografia tornou-se não só a mais reproduzida, como uma das mais veneradas e comercializadas no século XX.
Foi naquele dia também que o líder da revolução, Fidel Castro lançou pela primeira vez a sua não menos famosa palavra de ordem “patria ou morte!”, no caloroso discurso para milhares de pessoas que assistiam ao funeral-manifestação, com Che em segundo plano.
Perto do argentino, estavam os intelectuais franceses Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir, a quem perseguia Korda, fotógrafo do jornal Revolución. A foto do guerrilheiro foi quase acidental. A tribuna do evento estava repleta de autoridades e Korda teve apenas 45 segundos para fotografá-la.
De Che, fez apenas duas fotos: uma vertical e outra horizontal, que acabou se transformando em um ícone dos movimentos de esquerda em todo o mundo. De acordo com o próprio fotógrafo, Guevara tinha um olhar tão tenso que o incomodou por um momento, mas não o suficiente para interromper de imediato as duas fotografias, antes que Che desaparecesse novamente atrás das autoridades da primeira fila.
A foto “não foi concebida, foi intuída”, disse Korda. Ele explicou que logo aperfeiçoou o trabalho no laboratório para destacar o olhar, recortando, do lado esquerdo da foto, o perfil de outra pessoa e, do direito, a inevitável palmeira tropical.
Estava pronto o famoso retrato posteriormente denominado “Guerrilheiro Heróico”, reproduzido em milhares de variações em homenagem a Che, que combateu em vários países da América Latina e África antes de morrer em uma aldeia quase deserta dos Andes da Bolívia, apenas sete anos depois.
Korda declarou tempos depois que sua foto capturou todo “caráter, firmeza, estoicismo e determinação” que Guevara possuía. Ela não foi inicialmente apreciada e sequer acompanhou a reportagem publicada pelo Revolución no dia seguinta à sabotagem de “La Coubre” e do enterro massivo. Korda a ampliou e pendurou em seu estudo, junto com um retrato do poeta chileno Pablo Neruda e imagens familiares.
O trabalho foi publicado pela primeira vez cinco meses mais tarde, para ilustrar uma notícia sobre a presença de Guevara em um evento do governo, mas passou despercebido. Só se tornou conhecido de fato após a morte de Che nas montanhas bolivianas, quando o próprio Fidel Castro buscou uma imagem sua para um cartaz de um metro por 70 centímetros, apresentado em 1967 na Itália.
Korda não cobrou nenhum centavo por seu retrato mais difundido, embora o empresário italiano que reproduziu aquele primeiro cartaz tenha vendido em poucos meses um milhão de cópias, sem sequer mencionar o fotógrafo.
Jonathan Green, diretor do Museu de Fotografia da Universidade da Califórnia em Riverside, afirmou certa vez que “a imagem de Korda se transformou num idioma ao redor do mundo. Se transformou num símbolo alfa-numérico, num hieróglifo, um símbolo instantâneo. Ela reaparece misteriosamente sempre que há um conflito. Não há nada na história que funcione desse jeito”.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Dilma para Aécio: não saí de BH para ir à praia


Dilma para Aécio: não saí de BH para ir à praia

Do UOL
Carlos Eduardo Cherem
Do UOL, em Belo Horizonte
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A presidente Dilma Rousseff (PT) respondeu à crítica do senador Aécio Neves (PSDB-MG) sobre ser uma "estrangeira" na eleição em Belo Horizonte, durante comício do candidato do PT à prefeitura da cidade, Patrus Ananias, na região do Barreiro. "Nasci aqui no hospital São Lucas. Saí daqui para lutar contra a ditadura e não para ir à praia", afirmou.
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Imagens da corrida pela Prefeitura de Belo Horizonte
Foto 164 de 164 - 3.out.2012 - O candidato do PT à Prefeitura de Belo Horizonte, Patrus Ananias (à dir.), recebe o apoio da presidente Dilma Rousseff (à esq.) no comício realizado na praça da Febem, no Barreiro, zona sul da capital mineira, na noite desta quarta-feira. No local, a presidente disparou ataques contra o senador Aécio Neves (PSDB) Mais Carlos Roberto/Hoje Em Dia/Estadão Conteúdo
Aécio tem dado entrevistas em que faz criticas ao que chama de "interferência" da presidente no processo sucessório na Prefeitura de Belo Horizonte.
Em julho deste ano, em entrevista ao blog do Josias, o tucano disse, que "mineiro sabe fazer suas escolhas sozinho, não precisa de conselhos externos". Na mesma entrevista, ele afirmou que Dilma "é uma mineira curiosa, que acomodou oito gaúchos no ministério".
"Acho muito estranho, muito suspeito, alguém me acusando de ser estrangeira", disse Dilma, em seu discurso. "Na minha veia corre o sangue de Minas Gerais", disse a presidente.
Ela afirmou que começou sua militância política, em 1968, em Belo Horizonte. "Aqui aprendi que mineiro tem a capacidade de lutar pelo país", afirmou para cerca de 3.000 pessoas, conforme a organização do evento.
Nomeação de Marta
Dilma afirmou ainda que a nomeação da senadora Marta Suplicy (PT-SP) para o Ministério da Cultura não tem relação com as eleições em São Paulo --a petista teria sido nomeada após acordo para entrar na campanha de Fernando Haddad (PT).
"A Marta [Suplicy] será a melhor ministra da Cultura que esse país já teve", afirmou.
Royalties do minério
A presidente disse durante o ato em Belo Horizonte que vai enviar ao Congresso uma nova lei dos royalties do minério, aos moldes da legislação do petróleo. "Não há possibilidade de não aprovarmos uma lei da mineração", disse. A proposta anterior foi vetada pela presidente. A matéria sofreu críticas de Aécio Neves.

DOIS CUBANOS...

DOIS CUBANOS, FALTA APENAS UM PARA FECHAR UMA BAITA FLOR CUBANA...FREI BETTO!!! HEHEHEH

terça-feira, outubro 02, 2012

Debate com dois protagonistas e dois franco-atiradores!



O debate realizado pela TV nativa, na noite de ontém (02-10-12) teve dois protagonistas e dois franco-atiradores: Fernando Marroni  e Eduardo leite foram os principais personagens do debate, enquanto que  Jurandir Silva e Matteo Chiarelli foram os responsáveis pelas tentativas de desestabilizar as candidaturas protagonistas,especialmente a do campo da esquerda, representada por Marroni.


Primeiro ponto a ser destacado foi o notável aspecto de abalado, do candidato Catarina. Seu semblante não esconde a decepção em relação ao desempenho declinante de sua candidatura. Teve uma participação morna e protocolar, não fugindo do script que sua coordenação de campanha estabeleceu. Surpreendeu, apenas, ao deixar de lado sua postura agressiva em relação aos dois protagonistas da eleição: Marroni e Leite.

Quanto aos dois franco-atiradores, Jurandir e Matteo, manteram suas posturas de combate, especialmente Matteo, que parecia estar transtornado, nos duros ataques de baixo nível que fez ao petismo em geral - de Lula a Dilma, passando por Tarso e chegando em Marroni. Certamente, foi o candidato com o pior desempenho. Matteo parecia estar tomado de uma raiva profunda em relação a Marroni.

O candidato do governo Fetter, Eduardo Leite, manteve o tom e interpretou bem o personagem que encarno desde o início do processo eleitoral. Um momento importante do debate aconteceu quando Jurandir chamou Leite de Fetter.

Marroni manteve a linha da campanha, estabelecendo a relação com os projetos de Dilma e Tarso, retomou experiências e realizações importantes do seus governo (2001-2004) e manteve a compostura ao sofrer os ataques de Matteo, Jurandir e Leite. Foi equilibrado e, se manteve fora da baixaria, mesmo rebatendo vários ataques que sofreu! 

Partidos de esquerda e centro-esquerda têm chances em 80% das capitais


Partidos de esquerda e centro-esquerda têm chances em 80% das capitais





Candidatos abrigados em legendas consideradas de esquerda ou centro-esquerda podem vencer no primeiro turno ou ir para o segundo em 21 das 26 capitais brasileiras nas eleições deste ano – o equivalente a 80%. Os principais partidos do país tradicionalmente enquadrados nesse espectro ideológico são o PT, o PSB, o PCdoB, o PDT e o PSOL.
Faltando uma semana para as eleições, as últimas pesquisas indicam que uma dessas legendas certamente vencerá em cinco capitais, onde ocupam o primeiro e o segundo postos na preferência do eleitorado, bem à frente dos demais concorrentes. São elas: Macapá (AP), Goiânia (GO), Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT) e Porto Alegre (RS).
Das outras 16, os partidos de esquerda ou centro-esquerda lideram em sete: Rio Branco (AC), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Belém (PA), João Pessoa (PB), Recife (PE) e Natal (RN).
Entre as 21 cidades, as situações mais difíceis estão no Rio de Janeiro (RJ), em Aracaju (SE) e Vitória (ES), onde candidatos de centro ou de direita lideram com larga vantagem, podendo vencer já no próximo dia 7.
O levantamento, feito pela Rede Brasil Atual com base nas pesquisas disponíveis, leva em consideração a orientação ideológica apenas dos partidos que encabeçam as chapas.
O PT é o partido mais bem posicionado no conjunto das capitais entre as legendas de esquerda, com chance em 11 delas. Pode vencer no primeiro turno em Goiânia; deve ir para o segundo turno em Rio Branco, Salvador, Fortaleza, Cuiabá, João Pessoa e São Paulo; aparece em terceiro lugar, mas tecnicamente empatado com o segundo colocado, em Vitória, Recife e Porto Velho; e trava uma disputa acirrada em Belo Horizonte, numa campanha que acabou polarizada entre Patrus Ananias (PT) e o atual prefeito Márcio Lacerda (PSB), com vantagem para este último.
O PSB tem chances em oito capitais (Fortaleza, Belo Horizonte, Cuiabá, Recife, Curitiba, Aracaju, João Pessoa e Porto Velho). O PDT aparece bem colocado em quatro (Macapá, Natal, Porto Alegre e Maceió) e o PCdoB em três (Manaus, Porto Alegre e Florianópolis), assim como o PSOL (Belém, Macapá e Rio de Janeiro).
Atualmente, esses partidos, excetuando-se PSOL, governam 14 capitais, sendo sete do PT, três do PDT, três do PSB e uma do PCdoB.
Veja abaixo como está a disputa entre os principais colocados em cada uma das 26 capitais, de acordo com as pesquisas mais recentes. As cidades marcadas com asterisco indicam possibilidade de vitória no primeiro turno.
Rio Branco (AC) – Ibope de 21 de setembro
Marcus Alexandre (PT) – 43%
Tião Bocalom (PSDB) – 39%
Maceió (AL) – Vox de 16 de setembro *
Rui Palmeira (PSDB) – 43%
Ronaldo Lessa (PDT) – 23%
Manaus (AM) – Ibope de 20 de setembro
Vanessa Grazziotin (PCdoB) – 29%
Arthur Virgílio (PSDB) – 29%
Macapá (AP) – Ibope de 22 de setembro
Roberto Góes (PDT) – 33%
Clécio Luís (PSOL) – 23%
Salvador (BA) – Datafolha de 27 de setembro
Nelson Pelegrino (PT) – 34%
ACM Neto (DEM) – 31%
Fortaleza (CE) – Datafolha de 27 de setembro
Elmano Freitas (PT) – 24%
Roberto Cláudio (PSB) – 19%
Moroni Torgan (DEM) – 18%
Vitória (ES) – Ibope de 23 de setembro * (margem de erro de quatro pontos)
Luiz Paulo (PSDB) – 43%
Luciano Rezende (PPS) – 22%
Iriny Lopes (PT) – 16%
Goiânia (GO) – Grupom de 16 de setembro *
Paulo Garcia (PT) – 40%
Jovair Arantes (PTB) – 11%
São Luís (MA) – Exata de 22 de setembro
João Castelo (PSDB) – 30%
Edvaldo Holanda Jr. (PTC) – 28%
Belo Horizonte (MG) – Datafolha de 27 de setembro *
Márcio Lacerda (PSB) – 45%
Patrus Ananias (PT) – 32%
Campo Grande (MS) – Ibope de 25 de setembro
Alcides Bernal (PP) – 35%
Edson Giroto (PMDB) – 31%
Cuiabá (MT) – Mark de 24 de setembro
Mauro Mendes (PSB) – 38%
Lúdio Cabral (PT) – 33%
Belém (PA) – Ibope de 22 de setembro
Edmilson Rodrigues (PSOL) – 38%
Zenaldo Coutinho  (PSDB) – 20%
João Pessoa (PB) – Ibope de 21 de setembro (margem de erro de quatro pontos)
Luciano Cartaxo (PT) – 29%
Cícero Lucena (PSDB) – 20%
José Maranhão (PMDB) – 18%
Estela Bezerra (PSB) – 14%
Recife (PE) – Datafolha de 27 de setembro (margem de erro de três pontos)
Geraldo Júlio (PSB) – 42%
Daniel Coelho (PSDB) – 22%
Humberto Costa (PT) – 17%
Teresina (PI) – Ibope de 21 de setembro
Firmino Filho (PSDB) – 32%
Elmano Férrer (PTB) – 27%
Curitiba (PR) – Datafolha de 27 de setembro
Ratinho Jr. (PSC) – 32%
Luciano Ducci (PSB) – 25%
Rio de Janeiro (RJ) – Datafolha de 27 de setembro *
Eduardo Paes (PMDB) – 55%
Marcelo Freixo (PSOL) – 19%
Natal (RN) – Vox de 23 de setembro *
Carlos Eduardo (PDT) – 47%
Hermano Moraes (PMDB) – 17%
Porto Velho (RO) – Ibope de 26 de setembro (margem de erro de quatro pontos)
Lindomar Gasçon (PV) – 29%
Mário Português (PPS) – 17%
Mauro Nazif (PSB) – 16%
Mariana Carvalho (PSDB) – 15%
Fátima Cleide (PT) – 12%
Boa Vista (RR) – Ibope de 25 de setembro *
Teresa Surita (PMDB) – 54%
Mecias de Jesus (PRB) – 19%
Porto Alegre (RS) – Ibope de 29 de setembro *
José Fortunati (PDT) – 47%
Manuela D’Ávila (PCdoB) – 24%
Florianópolis (SC) – Ibope de 25 de setembro
Cesar Souza Jr. (PSD) – 33%
Angela Albino (PCdoB) – 28%
Aracaju (SE) – Ibope de 14 de setembro *
João Alves Filho (DEM) – 51%
Valadares Filho (PSB) – 20%
São Paulo (SP) – Ibope de 27 de setembro
Celso Russomanno (PRB) – 34%
Fernando Haddad (PT) – 18%
José Serra (PSDB) – 17%
Palmas (TO) – Serpes de 22 de setembro
Carlos Amastha (PP) – 43%
Marcelo Lelis (PV) – 35%

Eric Hobsbawm, historiador marxista, morre aos 95 anos


Aos 95 anos, morre o historiador marxista Eric Hobsbawm





Da Redação
Atualizado às 12h06min 

Eric Hobsbawm, um dos principais historiadores do século XX, morreu nesta segunda-feira (1) aos 95 anos, anunciou sua família .
Hobsbawm, marxista ao longo de toda sua vida, cujo trabalho influenciou gerações de historiadores e políticos, morreu nas primeiras horas da manhã de hoje em um hospital em Londres, após uma longa doença, disse sua filha Julia.
Ele é autor de obra de quatro volumes sobre a história contemporânea, que abrangem desde 1789 data da revolução francesa, até 1991 com a queda da União Soviética, que é reconhecida como uma das obras mais importantes para o período.
Para o historiador Niall Ferguson, os livros “A Era da Revolução (1789 – 1848), a “Era do Capital” (1848 – 1875), “A Era dos Impérios” (1875 – 1914) e “A Era dos Extremos (1914 – 1991) são “o melhor ponto inicial para qualquer pessoa que deseje começar a estudar a história moderna”.
O imperialismo das potencias sobre os continentes asiático e africano, a revolução russa e o estabelecimento dos regimes burgueses na Europa também foram objetos de estudo do marxista.
O trabalho de Hobsbawm, porém, não se limitou a essa série de estudos e a idade parece não ter impedido o historiador de continuar com suas pesquisas e análises. Tendo em vista recentes acontecimentos mundiais como os atentados terroristas do 11 de setembro e a guerra dos Estados Unidos “contra o terror”, Hobsbawm publicou “Globalização, Democracia e Terrorismo” em 2007, uma compilação de palestras e conferências.
Em 2011, aos 94 anos, o historiador fez sua ultima contribuição e análise aos estudos do pensamento e da história marxista com o livro “Como mudar o mundo”. Prefácios, artigos, conferências e ensaios reunidos na obra explicitam a preocupação central do historiador em refletir sobre as transformações e nesse caso, sobre uma teoria que alicerça a revolução.
O “guru”
Hobsbawm foi apelidado de “guru de Neil Kinnock” (Kinnock foi líder do Partido Trabalhista britânico) no início de 1990, depois de criticar o Partido Trabalhista britânico por não manter-se atualizado com as mudanças sociais. Ele então assumiu a reforma da legenda que levou o nascimento do New Labour (movimento do Partido Trabalhista britânico, liderado por Tony Blair e Gordon Brown).
Ed Miliband, líder do Partido Trabalhista, descreveu Hobsbawm como “um historiador extraordinário, um homem apaixonado pela política e um grande amigo da minha família”.
Ele disse: “Seus trabalhos históricos levou centenas de anos de história britânica para centenas de milhares de pessoas. Mas ele não era apenas um acadêmico, ele se importava profundamente com a direção política do país. Na verdade, ele foi um dos primeiros a reconhecer os desafios do partido no final de 1970 e 1980 e a natureza mutável da nossa sociedade”.
Afiliação ao Partido Comunista Britânico
Por toda a sua vida Hobsbawm foi compromissado com os princípios marxistas que fizeram dele uma figura controversa, sobretudo, em sua associação ao Partido Comunista Britânico, em plena Guerra Fria.
Anos mais tarde ele disse que nunca tinha tentado diminuir as coisas terríveis que aconteceram na Rússia.  “Mas, acreditava que um novo mundo estava nascendo em meio a sangue, lagrimas e horror: revolução, guerra civil e fome. Por conta do colapso do Ocidente, nós tínhamos a ilusão de que mesmo que brutal, o sistema funcionaria melhor do que o ocidental. Era isso ou nada”, contou o historiador.
Nascimento
Hobsbawm nasceu em uma família judaica em Alexandria, no Egito, em 1917, e cresceu em Viena e Berlim, até se mudar para Londres com sua família em 1933, ano em que Hitler subiu ao poder na Alemanha. Hobsbawm desenvolveu seus estudos no King’s College, na capital britânica, e em Cambridge. Em 1947, começou a lecionar na Universidade de Birbeck, onde, anos depois, acabou por se tornar o reitor.
Ele se tornou um membro da Academia Britânica, em 1978, e foi premiado com o companheiro de honra em 1998.
Ele deixa sua esposa, Marlene, sua filha, Julia, e Andy filhos e José, e por sete netos e um bisneto.
Com informações do The Guardian e Opera Mundi

segunda-feira, outubro 01, 2012

Não Podemos Se Entregá Pros Home



O gaúcho desde piá vai aprendendo
A ser valente não ter medo ter coragem
Em manotaços dos tempos e em bochinchos
Retempera e moldura a sua imagem
(Não podemos se entregar pros home
Mas de jeito nenhum amigo e companheiro
Não tá morto quem luta e quem peleia
Pois lutar é a marca do campeiro)
Com lança cavalo e no peitaço
Foi implantada a fronteira deste chão
Toscas cruzes solitárias nas coxilhas
A relembrar a valentia de tanto irmão
E apesar dos bons cavalos e dos arreios
De façanhas garruchas carreiradas
E a lo largo o tempo foi passando
Plantando novo rumo em suas pousadas
E eram cercas porteiras aramados
Veio o trator com seu ronco matraqueiro
E no tranco sem fim da evolução
Transformou a paisagem dos potreiros
E ao contemplar o agora dos seus campos
O lugar onde seu porte ainda fulgura
O velho taura da de rédeas no seu eu
E esporeia o futuro com bravura

Não Podemos Se Entregá Pros Home

Leopoldo Rassier


Até à vitória, companheiros!!
 

domingo, setembro 30, 2012

A última do senador mineiro

A última do senador mineiro



Vamos nos divertir um pouco. Convido-os a analisarem comigo as pérolas proferidas pelo senador mineiro Aécio Neves em sua viagem ao Recife e a Salvador. Comecemos pela avaliação dos mandatos do ex-presidente Lula e o da presidenta Dilma Rousseff: 

“O PT não propôs nada de novo. Se contentou com os altos índices de popularidade. Usou essa popularidade para surfar. Não é posição de estadista. Lula não soube usar a popularidade para fazer um país melhor. Ele deveria gastar, usar essa popularidade, para fazer o que tinha de ser feito. Dilma vai no mesmo caminho”. 

Sim, vocês leram isso. Dizer que o PT não propôs nada de novo e desconsiderar todas as transformações pelas quais este país passou nos últimos anos – e continua passando – está no script da fala do senador. Claro que fugia do seu roteiro explicar de onde veio esta popularidade ou lembrar que o ex-presidente FHC deixou seu segundo governo tão em baixa que não conseguiu eleger um sucessor. 

Ao contrário do ex-presidente Lula que, além de eleger a presidenta Dilma Rousseff, manteve uma grande expressão junto ao povo brasileiro.

Fadiga de material?

Aécio, bem treinado, chegou ainda a afirmar que o PT estaria sofrendo fadiga de material. “Há um cansaço em relação à forma de agir do PT. Eles perderam a capacidade de se reformular. Por isto, um estágio na oposição iria fazer muito bem ao PT. Um poder tão longo, dez anos, não fez bem ao PT. Eles abandonaram a sua história”. Então nós é que estamos com fadiga de material? Sem propostas e sem projetos? Sem comentários...

Mas, foi em Salvador, que o senador perdeu as estribeiras. Ele esteve na capital baiana para ver de perto o estrago que o nosso candidato Nelson Pelegrino (PT) está provocando na candidatura demista de ACM Neto. E lá resolveu responder à ironia que o candidato do PT em São Paulo, Fernando Haddad, havia feito ao dizer que "se Aécio quer ser presidente, estude um pouquinho, leia um livro por semana. Pode ser na praia de Ipanema".

A resposta de Aécio, sem nenhuma elegância, foi "como não acho que ele [Haddad] possa ser tão idiota como parece às vezes, certamente ele quis dar ali uma estocada no presidente Lula, talvez não satisfeito com a incapacidade que [Lula] demonstrou até agora para alavancar sua candidatura”.

Frases pré-fabricadas

Conclusão: Aécio Neves quer aparecer. Mas, para isso, fala qualquer coisa que os marqueteiros mandam, como essas frases pré-fabricadas. Suas declarações são frases de efeito ditas quase por obrigação, já que nem ele acredita. Dizer que o Brasil não mudou... E logo em Salvador, onde seu candidato (ACM Neto) representa um passado de cumplicidade com a ditadura e com o autoritarismo.

E, pior, falar em fadiga de material quando seu partido, o PSDB, perdeu três eleições e agora caminha para uma derrota histórica. Não vai eleger nenhum prefeito nas capitais do Sul, Sudeste e Centro Oeste; corre o risco de não eleger nenhuma no Norte e no Nordeste; e vai disputar o segundo turno em três - São Luís, Teresina e Maceió - com sérias chances de perder.


Zé Dirceu: Tristeza pelo falecimento da Hebe Camargo


Uma notícia triste esta de que a Hebe morreu. Em sua generosidade estendeu a mão amiga para mim e esqueceu velhas divergências para adoçar meus dias amargos. 

Quando ia à Bahia, trazia e me enviava cocadas, uma de minhas paixões. Brincalhona e alegre, me derrubou numa rodada de vinho. Ela tinha proposto de vodca, mas eu não tive coragem de topar. Ficam sua alegria e sorriso, que facilmente viravam uma gargalhada feliz.



http://www.zedirceu.com.br//index.php?option=com_content&task=view&&id=16450&Itemid=2

o sistema político ruralista do país


Descortinando o sistema político ruralista do país



Em entrevista ao blog, o jornalista Alceu Castilho fala sobre sua pesquisa para escrever o livro Partido da Terra [editora Contexto, 240 páginas, preço em torno de R$ 25,00] e expõe a enorme capilaridade do poder ruralista em todo o território brasileiro. Baseado em um trabalho sério e minucioso, o livro é imprescindível para quem quer entender de onde vem a força dos ruralistas no Congresso Nacional e em todas as demais instâncias de poder em nosso país. Acompanhe a entrevista:

Sistema político ruralista

Durante minha investigação ficou muito clara a existência de um sistema político ruralista. Esse sistema precede a famosa bancada ruralista e explica, por exemplo, o fato de alguns partidos cederem vagas para o DEM na Comissão da Agricultura em troca de vagas em outras comissões. O PV, por exemplo, faz a mesma coisa, mas não ganha um assento na comissão de meio ambiente. Fala-se muito do Ronaldo Caiado, da Kátia Abreu e outros, mas se fossem só esses senhores, os ruralistas não teriam a força que têm. A força se dá por conta desta capilaridade que começa lá nas prefeituras, nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas e que têm a ver com a perpetuação de clãs políticos ligados à questão rural.

Eu acompanhei, na pós-graduação da Geografia Humana da USP, a defesa de Sandra Gonçalves Costa que apresentou uma dissertação de mestrado sobre a bancada ruralista. Muitos dos dados apresentados por ela coincidem com os do livro e estão diretamente relacionados com o coronelismo e o patrimonialismo que persistem em nosso país. Sandra, em sua tese, mostrou a forte presença da conexão familiar com a terra. O tema central desta tese é que terra é poder e esses proprietários não são apenas capitalistas, eles se preocupam com a terra porque isso faz parte da cultura regional, local, e do status que exibem. Durante minha análise isso ficou claro, muitos políticos gostam de exibir o seu patrimônio. 

Coronelismo

Esse sistema político ruralista ao qual menciono está ligado às eleições porque o coronelismo tem a ver com eleições. Vitor Nunes Leal, em seu clássico “Coronelismo, Enxada e Voto”, mostra a defesa desses interesses agropecuários não só no Congresso, mas nas prefeituras e assembleias legislativas. Em meio a essa lógica, camponeses, indígenas, quilombolas ou trabalhadores rurais são sistematicamente excluídos. Basta ver os conflitos por conta da terrível desigualdade e da extremada violência. Durante a minha pesquisa eu encontrei histórias de jagunços contratados por prefeitos e deputados, e até milícias formadas em defesa desses interesses. Este quadro nos dá a dimensão da violência no campo e do que está acontecendo hoje no país. 

Além disso, como bem demonstra Sandra, nós temos uma história de grilagem. Em sua tese, ela conclui que os políticos proprietários de terras, em sua maioria, possuem terras improdutivas. Essa conclusão, infelizmente, eu não obtive porque avaliei as declarações do TSE. Mas, a Sandra levantou dados do INCRA e conseguiu identificá-la. E mais: as terras das empresas declaradas por esses políticos são ainda mais improdutivas. Essas empresas, informa Sandra, não são mais produtivas do que aquelas dos latifundiários arcaicos. Não existe modernidade nessas empresas e a porcentagem de terras improdutivas aumenta ainda mais. Em poucas palavras, a maior parte desses políticos está especulando com a terra e não está produzindo. Veja que é o discurso contrário do que ouvimos dos ruralistas. 

O professor Ariovaldo Umbelino de Oliveira (Geografia-USP), uma das maiores referências em geografia agrária deste país, está coberto de razão quando afirma que nós não temos controle sobre o território brasileiro. Veja os cadastros do INCRA. Embora eles permitam pesquisas como a de Sandra e a minha, ainda são muito incompletos. Há muita terra em nome de laranjas e de parentes e outras tantas que não foram declaradas. 

Trabalho escravo

No livro, eu destino todo um capítulo ao trabalho escravo e às mortes e ameaças aos camponeses. A partir de relatos do Ministério do Trabalho, do Observatório Social e os que obtive na imprensa em geral, colhi casos que tinham assinaturas de políticos. Eles entram na lista suja, mas logo saem, porque no caso das elites e das grandes empresas, acabam não parando nessas listas. Eu cheguei à conclusão que só em terras de políticos já mencionados a trabalho escravo nós temos mais de 100 mil hectares. Esse é um dado importante no contexto da PEC do Trabalho Escravo já aprovada, mas lamentavelmente congelada até que se defina o conceito de trabalho escravo.

Note que há duas bancadas ruralistas: uma mais flexível – até para não ficar mal com a opinião pública, já que precisa de votos – e outra menos flexível, aquela que é ruralistas até o fim dos tempos, até porque seus eleitores são igualmente ruralistas. O fato é que essa bancada mais flexível aprovou a PEC do Trabalho Escravo, mas ela vai ficar lá patinando até que detalhem o que significa trabalho escravo.